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Alguns dos relatos deste livro nasceram em fóruns de trocas de experiências sobre plantas de poder — espaços de partilha aberta e espontânea que marcaram um tempo da minha vida.

Este, em especial, registra meu primeiro contato com o Kratom: uma planta que não se revelou enteógena no sentido clássico, mas que trouxe um alívio profundo, silencioso e acolhedor.

Conheci o Kratom em meio a mudanças intensas: paternidade, transição de trabalho, o primeiro apartamento e uma melancolia difusa que me atravessava. A planta ofereceu conforto físico e mental, um oceano quieto onde a dor e a ansiedade se dissolviam por um momento.

É também o início de uma história de convivência ambivalente — entre o consolo e a dependência — que mais adiante renderia outros aprendizados.

[2013-03-26] - KRATOM

Oi pessoal. Que bom que o PE voltou :)

Estou e acho que ficarei meio ausente devido a mudanças no trabalho e também a gravidez da minha namorada… faltam só dois meses para nascer nossa fiota e tem muita correria pra fazer :)

Durante esse tempo de dormência do PE, eu também pausei com as experiências enteógenas através de plantas. No entanto andei refletindo muito sobre os sonhos que tenho tido e tenho estado cada vez mais “ligado” nas vivências noturnas. Muitos insights sobre esse assunto, mas poucas conclusões.

Também vira e mexe tenho me encontrado meio triste, melancólico. Tem algumas razões para isso, mas também acho que é algo da minha natureza mesmo. E nessas baixas descobri uma planta muito especial, que não diria que é “enteógena”, mas com certeza é medicinal… trata-se do Kratom.

Dizem que a planta pode causar algum nível de dependência e/ou hábito e acredito mesmo nisso. Porque é como o álcool ou o tabaco: a planta não gera insights ou visões, mas te deixa “legal”. Te deixa “bem”. Acho que substâncias que te deixam “bem” sem envolver dissolução de ego e visões assim tem muito potencial para criar hábito e talvez viciar.

Eu particularmente não tenho usado com uma frequência que cause problemas nesse sentido, mas não falta vontade. A planta te põe num estado agradável de concentração, conforto físico, disposição e ao mesmo tempo relaxamento. Gera um tipo de apatia, que tem algum parentesco com a paz, mas sem causar desinteresse pelas coisas.

A planta leva embora a dor, seja no corpo ou seja na alma, e leva o turbilhão de pensamentos, tudo para longe para um lugar distante onde as coisas não tem importância.

Ao se fechar os olhos não se vê coisa alguma, mas penetra-se em um oceano, talvez um útero.

Na noite que passou tomei uma dose maior do que costumo tomar de um extrato 20x. Não sei dosar com precisão, mas acho que era uma colher de sobremesa cheia, com um pouco de sakê. Tomei era umas sete horas da noite, depois do trabalho. Além das sensações descritas acima, conforme foi passando a noite tive bastante sono e quando dormi, umas onze horas, foi uma coisa bem profunda, com sonhos bastante interessantes e impessoais. Sonhos distantes, terras distantes, tudo muito profundo.

Acordei ainda com traços dos efeitos. Com a mente bastante clara e focada. Nenhum traço de “felicidade”, “alegria” ou coisas barulhentas. Apenas uma mente silenciosa. Peguei o carro pra vir trabalhar, vim ouvindo Jesus and The Marychain, o álbum Stoned and Dethroned, que é bem a cara do Kratom.

E é isso aí. Essa planta entrou para minha lista de plantas preferidas. Me preocupa um pouco a possibilidade de desenvolver dependência. Preciso pensar/lidar com isso apropriadamente.

26 Março 2013.

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