Depois de um longo período afastado das experiências com enteógenos, este relato marca um reencontro com a Salvia Divinorum — e também uma redescoberta de sua força misteriosa e peculiar. Foi uma fase de reestabelecimento da conexão com a planta, feita com muita cautela, respeitando suas energias. Aqui descrevo não apenas as primeiras experiências de retorno, mas também o desenrolar de outras jornadas que foram se encadeando nas semanas seguintes, construindo uma percepção mais profunda (e ao mesmo tempo mais estranha) sobre o chamado “Salviaspace”. Essa sequência de relatos expressa tanto as dificuldades quanto os encantos dessa reaproximação, onde o mistério da matéria e da forma vai se revelando aos poucos — ora através de visões, ora através de intuições quase inexplicáveis.
[2011-09-11] - REESTABELECENDO A CONEXÃO
Olá pessoal.
Depois de muito tempo sem utilizar enteógenos, nesse sábado consegui um pouco de extrato 30x e fiz uma experiência em casa, com minha namorada.
Combinamos de eu fumar e ela me observar, e depois ela fumar e eu observar. Então com um pipe e um isqueiro comum acendi, traguei e segurei a fumaça o máximo que pude.
Estava um pouco apreensivo, com aquele sentimento que sempre tenho antes de usar qualquer coisa: “será que vai funcionar? como será?”
Enquanto fui exalando a fumaça já vi minha namorada, que estava a minha frente, se distanciando em um caleidoscópio e fui fechando os olhos. A sensação enquanto de olhos abertos é de que aquela sensação, aquele estado de consciência não fosse estranho e sim o mais verdadeiro e natural. É muito difícil de descrever a sensação. O máximo que consigo é através de uma analogia: é a mesma sensação de estar andando em uma trilha, com um céu limpo, nem quente nem frio, e o cheiro da floresta úmida entrando pelos pulmões. Uma sensação verde e azul. Alguma coisa assim. Muita felicidade, muita euforia.
Enquanto de olhos fechados não consegui conter o riso e felicidade por ver a planta agindo e sentir todo aquele poder após tanto tempo. E os “bichinhos”, “trabalhadores de Salvia”, que sempre aparecem desenhando meu corpo, reconstruindo, renderizando.
Esses bichinhos geralmente aparecem. É como se fossem trabalhadores de La Pastora, ou pensando como um programador de computador, é como se fossem “threads” criando as coisas. E estavam passando por mim, me construindo, seguindo da direita para a esquerda em um fluxo. Quando não conseguia conter o riso de felicidade havia interrupção na construção do meu corpo. Então eu me esforçava para não rir. Acho que experiências onde só se dá risada dissolvem todo significado, todo aprendizado. O riso dissolve a energia. Ainda que às vezes seja exatamente isso que se precisa.
Não foi uma experiência forte e nem entrei no SalviaSpace, mas serviu para quebrar o gelo com a planta, reestabelecer conexão.
Depois que minha namorada fumou fiz uma nova tentativa e dessa vez as coisas foram muito mais intensas.
Logo após dar um super-trago vi toda a parede do meu quarto se encher de flores e não consegui nem colocar o cachimbo na mesa. Minha namorada que pegou da minha mão e fez isso.
Me senti puxado para trás e uma série de triângulos vermelhos vivo iam surgindo pelos meus braços, em uma espécie de corrente.
Os bichinhos construtores da Salvia não estavam nessa experiência, não construíam nada. Só aquela força me puxando e de repente eu não existia mais. Não lembrava de ter fumado, não lembrava deste mundo. Eu era uma telha suspensa em uma casinha onde a Salvia, que era uma velha mais ou menos gorda estava coordenando uma construção. Era uma casa parecida a com a do meu pai e também parecida com a que vi em uma experiência anterior de alguns anos atrás, onde vi a Salvia pintando a casa com seus trabalhadores.
Dessa vez a casa já estava pronta e estavam mexendo naquelas coisas do telhado.
Eu ficava meio preocupado, porque era apenas uma telha e podia cair. Um rapaz (humano, cerca de uns 30 anos) estava mexendo nas telhas e parecia me proteger. Parecia saber que eu estava lá.
Aos poucos fui retomando a consciência de que era humano e não uma telha e fui voltando, muito impressionado.
Na experiência anterior eu estava naquele mesmo ambiente mas era uma planta que ficava indo pra lá e pra cá. Dessa vez eu era essa telha. É como se no SalviaSpace você fundisse a consciência com outras coisas, sejam elas “vivas” (plantas) ou “não-vivas” (telhas).
E em minhas experiências, La Pastora não é nenhum tipo de Deusa, mas sim uma mulher comum, fazendo coisas comuns, mas completamente senhora de seu mundo, o qual temos breves visões e contato.
E hoje, domingo, fico olhando cada objeto da casa, a mesa, a parede, e fico a pensar se essas coisas podem ter alguma consciência de outra dimensão. Eu sei, é um pensamento completamente bizarro, mas eu entendi como uma telha pode se sentir, podendo cair, quebrar. Talvez tudo que é forma tenha algum tipo de força vital que a mantem em coesão, com medo, lutando para não ter sua forma destruída. Talvez toda ordem tenha uma força para conter o caos que está em tudo. E talvez essa experiência tenha sido como entrar nessa dimensão e perceber essa luta que ocorre o tempo todo em tudo, não a luta da sobrevivência, mas a luta pela manutenção da forma, seja ela qual for.
Esses contatos com Salvia sempre me levam a pensar sobre a Forma, sobre a Organização das coisas, do mundo.
Ah, não sei se conseguir expressar direito o pensamento.
Seja como for foi uma experiência muito marcante, por ter deixado eu completamente off, enquanto tudo que sobrava era uma consciência enfiada dentro de uma telha.
Vou fazer novas imersões neste universo, para compreender melhor a natureza de La Pastora, da realidade e talvez, quem sabe, de mim mesmo.
Depois da experiência acima fiz outras duas.
Foi menos intenso, até mais “racional”.
Na primeira não tive exatamente uma visão, mas senti várias presenças. Os seres estavam indo para meu lado esquerdo e me chamavam para ir junto. Eu tentava, mas sentia que estava preso no corpo e dizia “não dá, tô em um corpo”.
Não houve visões claras, apenas a visão de alguma coisa como se fossem energia. É como se estivesse em uma consciência coletiva e participasse do “segredo” daquele mundo ou dimensão. E os seres estavam tirando suas barracas de acampamento e indo lá para meu lado esquerdo.
Hoje fiz uma nova experiência e foi parecido. Dessa vez os mesmos seres estavam preparando o ambiente para uma festa. É novamente é como se eu compartilhasse o segredo daquela dimensão.
Nem a Pastora e nem seus trabalhadores estavam em nenhuma das duas últimas experiência. Apenas esses seres, e o que se comunica comigo parece ser do gênero masculino, como o cara que vi na experiência anterior.
A impressão é que as trips vão seguindo uma sequência. E que essa realidade paralela realmente existe. Não pode vir de mim essas coisas, parecem ser externas.
De certa forma as duas últimas foram mais “sem graça”, por não haver todas as cores e visões. Mas a sensação daquele universo, aqueles seres, é tão real que sinto mesmo que estou pirando quando falo sobre aquilo como uma coisa tão real quanto o mundo comum ordinário…
Minha namorada me acompanhou em uma dessas experiências e relatou algo parecido, com seres chamando para ir a um lugar, mas sem visões claras e nem sinal da Pastora. Na experiência de hoje ela não quis fumar.
Acho que estou “pastorando-me”, mas faz falta um direcionamento e uma significação das coisas. O absurdo passa a ser cada vez mais real.
Ainda no sábado após a experiência que contei fiz outra tentativa à noite, com a tintura. Segui a risca o que dizia no folheto que veio com a tintura: separei 7ml de tintura e misturei com 7ml de água morna. Separei em 3 bochechos de aproximadamente 3 minutos cada. Senti uma queimação na boca devido ao álcool, mas nada perturbador. Não cuspi em nenhuma das vezes, engoli a tintura.
Durante a segunda bochechada já comecei a sentir os efeitos e fiquei com os olhos fechados. Aos poucos fui sentindo a energia da planta fluindo pelo espírito e houve muito contato com diversos tipos de seres. Não foram visões coloridas, foi meio como um sonho com visões “preto-e-branco”, isso é, você sabe o que está vendo, mas não vê.
Muitas coisas esqueci durante a jornada. A primeira cena que vi foi uma espécie de santa, tipo Virgem Maria. Ela cantava uma canção ou mantra que queria muito lembrar, mas que agora não consigo mais. Ela ficava em uma espécie de altar e alguns seres começaram a levantar esse altar e foram levantando até sumir nas alturas. Fiquei olhando o altar por baixo e logo o sentimento era de estar em uma espécie de centro da cidade, onde havia todo tipo de criatura. Havia muita agitação e seres que falavam por telepatia. É como se fossem os serezinhos da Salvia, mas não eram pequenos. Cada um tinha sua própria personalidade, faziam suas próprias coisas.
Não eram visões nítidas, eu apenas sabia o que era, o que estava acontecendo, mas não via com toda nitidez. Lembrava que ver não é olhar, como lia no Carlos Castañeda e me contentei com isso. Fiquei o tempo todo a me questionar se aquilo não era apenas auto-sugestão e sendo bem sincero, acho que pode ter sido.
Vi um outro ser que estava fazendo uma espécie de construção pontiaguda. O topo era bem fino, como uma agulha. Eu ficava nessa construção junto com o ser e de repente uma gigante de pedra nos pegava e engolia. Então meu pensamento era “não vou ser cagado, eu vou sair pela barriga”, e saímos.
Encontrei um outro ser. Perguntei se ali podia perguntar qualquer coisa e ele falou que sim, e o que eu queria saber. Pensei, pensei mas não encontrei nada que quisesse saber. Então ele falou, ora, então vamos festejar.
Senti que todas visões vinham do lado direito do olho e o olho esquerdo parecia estar “apagado”, “escuro”. Então me esforcei para fazer as visões virem do lado esquerdo e então vi um ser feminino e narigudo, que definitivamente não era a Pastora. Ela ia indo para o lado superior direito com uma flor e ia iluminando tudo. Ela estava abençoando as coisas.
Abri os olhos, estava muito bem, em paz. Troquei algumas palavras com minha namorada que estava na cama lendo (ela não tomou porque estava com dor de cabeça). Fechei os olhos novamente e tentei ver se conseguiria fazer alguma coisa, para autenticar a experiência. Pedi à um ser para me ajudar com a dor de cabeça da namorada e vi uns tubos que estavam entupidos com um bloqueio vermelho. E os bloqueios iam sendo desfeitos, como se fosse uma acupuntura doida.
Novamente: não sei o limite entre a auto-sugestão e a realidade astral.
Depois de outras conversas (não lembro de tudo, foi como um sonho), abri os olhos, fui nos fundos da casa e fiquei olhando a noite. Pensei o quanto não poderia ser legal tomar a tintura em um lugar com mais contato com a natureza. Também pensei “estou feliz, em paz, mas não estou alegre”. A alegria parece meio artificial e inferior a paz.
Estou bem tranquilo hoje. A experiência com a tintura é bem o que eu imaginava: mais suave e duradoura. Mas parecia mais um sonho do que visões fortes e vívidas. É um excelente apoio para meditação mas ainda não tenho certeza do que é ou não auto-sugestão. Só sei que os seres com que falei tinham personalidades próprias e que se tudo aquilo foi só imaginação, então Salvia dá uma baita criatividade.
A experiência da tarde, de preparar a festa e a noite, de participar de todas atividades daquele mundo, foram bem enriquecedoras. Mas significar isso tudo ainda é uma tarefa que não dá pra concluir…
Hoje fiz uma nova experiência com extrato fumado e não foi tão legal.
Não foi uma bad-trip, mas me senti “rejeitado”. Devo estar fazendo alguma besteira.
Logo após fumar senti a presença do cara que tem aparecido nas últimas 3 experiências.
Via uma espécie de carroceria de caminhão e uma mulher estava com ele. Eles estavam de saída e eles falavam que eu não iria. Logo em seguida passou um caminhão aqui por perto (de verdade) e ouvi uma vizinha gritando, como se despedindo de umas crianças (a vizinha estava gritando de verdade, mas não sei se estava se despedindo).
A impressão é que o cara e a mulher não queriam deixar eu ir. O cara ainda me falou que ele não era só energia e a impressão geral da experiência é que eu devia conceituar menos as coisas, porque quando você sente a presença do cara é totalmente inexplicável e mágica, mas quando você descreve (como estou fazendo agora) é totalmente limitada, resumida. E aos poucos a experiência descrita vai ficando e a “experiência experimentada” vai se apagando.
Voltei normalmente. Depois fiquei com os olhos fechados e aquela diversidade de visões preto-e-branco. São muitas imagens. Uma em especial era de um buda. E ouvia uma voz dizendo algo do tipo “todos as pessoas são o buda, todos os lugares são o buda”. Também havia uma espécie de cachorro de areia, que a areia ia se desfazendo o tempo todo, mas ele não perdia a forma. Mas são visões preto-e-branco, sem força emocional.
Se for resumir a mensagem da experiência em uma palavra, seria “conceituar menos, significar menos as coisas”.
Também terminei a experiência com dor de cabeça, no olho esquerdo. Parece que há sempre coisas escuras no lado esquerdo e coisas claras no lado direito… será que há algum significado em ser puxado pra lá ou pra cá?
Me sinto como “travado” em uma etapa das experiências fumadas, que é quando acabo de fumar, tenho aquela noção da transição de realidades, fecho os olhos e sinto essa presença masculina sempre ao meu lado esquerdo, e não consigo passar dali, seja porque estou preso em um corpo, seja porque eles não querem que eu vá.
Não perco noção do corpo e do ego, não existe fusão com outras coisas, nem desconstrução do corpo. Continuo sendo eu e em contato com a realidade comum. Também não tenho visões claras, só uma visão que é constante é uma espécie de corda, corrente, cipó, filete, fita (por exemplo a carroceria de caminhão que via era aquelas ripas que ficam em caminhões velhos, às vezes com desenhos). Esse filete que sempre se apresenta de uma forma diferente me parece ligar com essa presença.
Enfim… uma experiência sem graça, mas com uma mensagem muito clara. Acho que vou dar um tempo de relatar o estudo para conceituar menos. Mas agradeceria algumas dicas para “passar” disso.
Vou tentar diminuir a frequência então e ir com menos sede ao pote.
Fico muito curioso para saber o que mais tem do outro lado e aí acabo fazendo esses intervalos curtos.
Também sinto a influência energética da Salvia diminuir rápido em mim. Tipo três ou quatro dias e já estou em uma vibração fraca. Acho que é porque durante a semana tenho que conviver com coisas mundanas demais, que “descarregam” toda bateria. Tenho que aprender a andar por aí como um espectro, sem se ligar a nada que detone a energia, mas é preciso de muita força de vontade e outras coisas ainda que não sei o que é.
De qualquer forma, o que se aprende, se aprende e não se perde. Seja em 15 dias, 1 ano, sei lá. Você pode até esquecer, mas basta algum estímulo que aquilo que foi aprendido volta quando você precisa. Mas o duro é manter a luz no dia-a-dia quando todos cronogramas, telefones, carros apressados e tudo isso conspira para apagar.
No fim de semana fiz uma nova experiência, após 15 dias, que acho que foi um bom intervalo.
Fiz com extrato 30x fumado. Dois tragos apenas e me transportei para o lado esquerdo da cabeça, como se fosse em um canto. De lá veio uma visão de La Pastora, que era uma mulher negra.
Como na maioria das experiências em que a vi, ela era uma mulher nervosa, agitada. Estava estendendo roupas roxas e havia uma criança sentada, como se fosse seu filho.
A voz do cara que sempre tem surgido em minha experiências estava presente. E fico a pensar se esse cara é um Eu interior superior ou alguma entidade que me acompanha nas viagens ao SalviaSpace.
Ele não dizia nada, mas sentia sua presença, como que me ligando do mundo comum ao mundo de Salvia.
A mulher me dizia “não sou espiritual”. Repetia isso o tempo todo. Fiquei muito confuso “se ela não é espiritual, então o que ela é”?
Retornei normalmente.
Não perdi o ego, continuei ciente de ser eu mesmo.
Experiência estranha, mas foi um progresso. Passei daquela etapa de ficar pra fora, de ser expulso e rejeitado.
Por enquanto não consegui entender o que pode significar essa coisa toda de “não sou espiritual”. E agora de manhã fiquei pensando nisso e acho que não dizia exatamente “não sou espiritual”, mas sim “aqui não há nada de espiritual”, como que dizendo que aquela dimensão não era espiritual
Sempre acabo com a impressão de que ao entrar em contato com salvia ficamos ligados a força que desenha o mundo, que dá forma às coisas. Como aquela deusa Maya.
E será que essas roupas que ela estava estendendo era para vestir o mundo?
Bem, depois de quase dois meses sem entrar em contato com La Pastora, nesse sábado fiz uma nova experiência, com uma tintura.
Fiz com aproximadamente 10ml de tintura com 10ml de água morna (o que, segundo o folheto que veio com a tintura, seria uma dose forte).
Escovei os dentes, passei um anti-séptico bucal, acendi um incenso, a casa tava limpinha… preparei um pouco de chá com mel para tomar depois e fui para a cama.
Dei a primeira bicada na tintura. Iria separar para três bochechadas, como fiz anteriormente.
Fiquei com a tintura na boca por uns 5 minutos. Depois engoli. Segunda bicada.
Pouco tempo depois da segunda bochechada já senti as ondas me levando. Achei estranho, porque parece que da outra vez só havia começado a sentir os efeitos depois da terceira bochechada.
Rapidamente parti desse mundo. A tintura que ainda estava na boca parecia um rio. Uma série de formas se transformavam, ouvia muitas palavras em espanhol, tinha a impressão que eram pessoas da Colômbia falando. Mui loko.
Fui engolindo o rio de tintura que ainda estava na boca, abri os olhos, o quarto parecia um sonho. Botei a terceira e última parte da tintura na boca e voltei a fechar os olhos.
Houve muita conversa, muitos seres, muitas vozes, muitas ondas de energia indo pra lá e pra cá. É como se estivesse navegando. O problema é que não lembro muito bem de tudo. Em alguns momentos fiquei incomodado porque as imagens e vozes e tudo mais não paravam nunca e eu já estava cansado de tanta coisa. Levantei como que flutuando pela casa. É como se eu não controlasse meu corpo e tudo fosse um sonho.
Voltei pra cama. Fechei os olhos. O sentimento geral é que todas vozes de fato não eram “espirituais”. É como se fossem partes autônomas de mim mesmo. Eram serezinhos como os que geralmente aparecem, mas é como se fossem essas partes autônomas. Depois pensei que poderiam ser na verdade os elementais da planta vivenciando as sensações de um corpo humano, como uma amiga falou uma vez. E eles se divertiam com isso. E se divertiam para alegrar uma senhora gigantesca, que com certeza era La Pastora. E ficava lá em um horizonte longe.
Quando abri os olhos novamente já tinha passado mais ou menos uma hora. O tempo de olhos abertos havia sido comprimido, porque tudo aconteceu como se fosse em apenas um piscar de olhos. Fiquei surpreso de ver que havia passado tudo isso.
Fiquei com muito sono. Dormi.
Sono profundo, sonhos vívidos.
Os dias seguintes (domingo) e hoje (segunda) têm sido muito bons. Muita paz, uma felicidade tranquila, sensação de que minha vida e o mundo estão organizados. Como se fosse um realinhamento energético mesmo.
Não tive nenhum insight “revolucionário” pra minha vida e nem tive uma visão muito intensa, mas apesar de assustadoramente intensa, a experiência foi boa. Já vi que 10ml é muito para experiências com tintura. Pra mim tem que ser uns 8ml.
E ainda a experiência fumada me pareceu mais interessante para os meus própositos.
Hoje fui em uma loja de animais/jardinagem e por acaso vi uma árvore de Quaresmeira.
Instantaneamente fui invadido por um sentimento esquisito como aquele que acontece logo após fumar salvia, quando começa a se afastar do mundo.
A sensação é que aquelas folhas da árvore tivessem alguma relação com minhas últimas experiências com a salvia. Como se houvesse um mistério ali.
Olha, foi uma coisa muito esquisita. Fiquei sem entender. Mas acho que vou olhar as Quaresmeiras de outra forma depois de hoje…
11 Setembro 2011.