← Anterior Índice Próximo →

Foi em um feriado que teve em junho/2002 que eu e meu amigo Lucas fomos viajar. A intenção? A melhor possível: experimentar 15 sementes de Argyréia nervosa.

Eu já havia experimentado essas sementes numa outra ocasião, quando foi feita uma extração em água com sete delas. Havia sido legal e tudo, mas desta vez seria mais que o dobro da primeira experiência: seriam 15 sementes!! Fomos então viajar para Ilha Grande em Angra dos Reis. Ficaríamos na Praia do Aventureiro.

[2002-06-14] - UMA EXPERIÊNCIA COM AS ANTIGAS PLANTAS

1. PREPARATIVOS

A gente pegou o ônibus em São Paulo, lá na Tietê, e depois de uma pá de hora batendo papo, ouvindo música e dormindo a gente chegou de manhãzinha lá em Angra. Aí ficamos vagando pela cidade procurando algum barquinho para levar a gente até a tal da Ilha Grande. Acontece que ainda era cedo demais e o sol não tinha nem nascido. Ficamos lá esperando algum barquinho e enquanto isso o Lucas falou sobre a última vez que foi à Ilha Grande e tudo. Falou que a ilha era grande mesmo e que haviam várias praias por lá. Nós íamos para a Praia do Aventureiro, o que levaria mais ou menos duas horas navegando de barquinho.

Depois de um tempo achamos um tiozinho de barco. Ele falou que ía para a Praia do Aventureiro, mas que tinha que esperar mais pessoas para completar o barco e tal… então ficamos lá batendo papo. O tio do barco ofereceu um baseado e a gente ficou lá fumando. Fumei com vontade mesmo. Talvez esse fosse o único baseado que fumaríamos durante a viagem toda, porque não estávamos levando nada de maconha para fumar lá.

O cara foi para a rodoviária ver se achava mais pessoas para completar o barco e nós ficamos lá esperando e ouvindo música. Quando voltou, já depois que o sol nasceu, falou que não ia mais para a Praia do Aventureiro, mas para uma tal de Praia do Abraão ou sei lá o quê… então fomos procurar outro barquinho. Por sorte achamos um que estava para sair. Aí ficamos lá navegando por um tempão.

Quando chegamos na praia já era mais ou menos onze horas. Eu fiquei surpreso do quanto a praia era bonita! Era bem selvagem mesmo. Não tinha nem energia elétrica (eles usava motor de fusca como gerador). A água era verde e cristalina. Dava até para ver uns peixinhos por lá. Fiquei um tempão intrigado com o porquê da água ser verde se o céu era azul… depois um colega meu explicou que era plânctons e coisa e tal…

Aí fomos seguindo até um camping. Não tinha absolutamente ninguém quando a gente chegou. Montamos a barraca e moemos as semente. Depois nós deixamos as pequenas curtindo em água. Foram duas garrafinhas de 500 ml com 15 sementes cada uma. O ideal então seria ficar em jejum até tomá-las, mas a gente não aguentou e acabou comendo miojo e bolachas durante a noite.

No dia seguinte acordamos cedo. Já havia algumas outras barracas lá no camping. Nas garrafinhas de água mineral estava a poção mágica. Parecia uma gasolina. O cheiro era um tanto quanto enjoativo e só de lembrar dá um nó no estômago. Antes de tomar aquilo eu fiz um copão de café solúvel. Na verdade café não é nada recomendável antes de umas sementinhas, já que ele pode dar uma “azedada” no estômago, mas mesmo assim quis tentar para ver se isso dava uma diminuída na fase de cansaço físico que já experimentei em uma experiência anterior.

Acontece que as sementes dão uma alterada bem legal na cabeça, mas existem algumas fases preliminares desagradáveis. Muita gente nem gosta delas por isso mesmo. Na primeira hora ela costuma deixar o estômago enjoado, causa vasoconstrição, dá um certo cansaço físico, tontura, dificuldade de respirar… acho que por isso não é uma droga tão comum…

Depois do café mandei a “gasolina” pra dentro. O gosto era até tragável, só mesmo o cheiro que não era dos melhores…

2. EMBARCANDO NO UNIVERSO DO LSA

A partir daqui já não me lembro com muita clareza a ordem dos eventos que sucederam, mas vou escrevendo como me vêm à cabeça:

Saímos para andar pela praia e seguimos em direção às pedras. Após uns 10 ou 20 minutos andando eu já sentia um grande desconforto estomacal. Era estranho o fato de ser um desconforto que não crescia gradualmente e sim chegava com força total. Vinha tudo de uma vez só. É como se as sementes apertassem um botão “náusea=on”.

Fomos seguindo em passos curtos e paradas “estratégicas” para amenizar a náusea. Depois de uns minutos percebi que já não estava enjoado. Simplesmente a náusea havia passado. Nada de cerimônias. Era como se agora as sementes apertassem um botão “náusea=off”. Às vezes sentia o cheiro das sementes vindo do além, mas não chegava a ser uma náusea ou uma sensação alarmante. Era só o cheiro enjoativo mesmo.

Passamos pelas pedras e continuamos andando pela areia fofa. Aí percebi que o café não havia adiantado de nada. Sentia-me cansado. Uma vontade de não me sustentar no chão e simplesmente cair. Ficar lá no chão estirado sob o sol. Não era um princípio de bad-trip ou uma coisa desesperadora. Era apenas um cansaço desgraçado, uma baita falta de vontade de caminhar ou fazer qualquer coisa.

Eu e o Lucas resolvemos nos sentar na areia para descansar. Fiquei olhando as ondas indo e voltando. Pareciam brincar entre si. Uma ía, outra vinha por cima, depois uma outra puxava as duas de volta para o mar… eu já sentia alguma alteração bem legal na cabeça. Ainda nada intenso, mas sentia que eu era algo abstrato. Eu não tinha uma forma humana. Eu era uma coisa indefinida presa num corpo cansado. Não tem nada a ver com experiências fora do corpo, mas mente e corpo pareciam dissociados. Também estava incomunicável. Até gostaria de comentar alguma coisa com o Lucas sobre a experiência, mas era difícil organizar as sensações numa linguagem. Dava preguiça.

Ainda com o corpo pesado resolvi me deitar na areia e ficar sob o sol. Me senti bem jogado na areia. O sol estava acolhedor e as sensações agradáveis das sementes começavam a crescer dentro de mim. Tapei os olhos com o braço e vinham muitas imagens mentais. Nada de visuais coloridos, eram apenas imagens da cabeça mesmo, uns raios e luzes no escuro.

3. NAVEGANDO

Então lá estávamos nós. O tempo já era um conceito abstrato. Não havia tempo, espaço, não havia nada senão tudo. Na verdade tudo parecia eterno ao mesmo tempo impermanente. É uma coisa bem esquisita mesmo.

Depois de um certo tempo (o que é isso?) resolvemos voltar para o camping em que estávamos. Eu já estava bem alterado mesmo. As cores estavam mais definidas e eu sentia um certo contentamento. Ainda era difícil me comunicar e ainda sentia-me uma coisa indefinida. Antes de iniciar a longa caminhada de volta ao camping eu fui tomar um banho de mar para ver se amenizava o cansaço físico.

A sensação de estar na água era maravilhosa. Um contato muito bom com a natureza. A água potencializava o contentamento proporcionado pelas sementes e atenuava o cansaço. Interagir com a natureza naquele estado era algo inexplicável. Parecia que eu sentia toda a água, como se eu fizesse parte da água. E com a areia também era assim, porque se eu pegava um pouco de areia na mão eu me identificava com a areia. Eu não era mais eu e nem era mais aquela coisa abstrata. Agora eu era o que eu olhava ou tocava.

Depois de ficar um pouco lá na água fomos andando pela areia rumo ao camping. Tentávamos falar sobre a experiência mas a linguagem não era o suficiente. Às vezes batia uma espécie de paranóia por ficar tão calado. Eu queria falar, comentar, mas sei lá… eu não estava num estado para transmitir, mas sim absorver. Eu era uma esponja absorvendo o mundo ao meu redor, absorvendo sons, cores, sensações.

Já bem próximos ao camping, paramos e nos sentamos numa pedra. Lucas teve a brilhante idéia de me sugerir olhar para o céu. A profundidade do céu era infinita na minha cabeça. As nuvens se mexiam, dançavam, se juntavam, formavam caleidoscópios e às vezes eram cortadas por pássaros. Olhando ali apenas para o céu eu me desligava de tudo mais. O céu era tudo que existia. E é como se eu fizesse parte daquele céu sem fim. Parece que até os sons do mundo ficavam em silêncio enquanto eu estava ali olhando pra cima. Era estranha a sensação de ficar um tempo contemplando o céu e depois mudar o foco da visão novamente para a praia. Eram dois mundos distintos e fantásticos. A paleta de cores para pintar o céu não era a mesma que pintava a praia. Um todo azul e branco. O outro todo amarelo, esverdeado.

Fomos andando pelas pedras parando aqui e ali. Me sentia muito bem. Nada de náuseas ou cansaço físico. Nada de paranóias nem nada. Quando andávamos eu me sentia muito contente e quando parávamos eu embarcava numa onda de pensamentos que geralmente me deixava um tanto quanto incomunicável. É como se houvesse uma grande quantidade de energia. Na verdade um excesso de energia que ao andar era liberada e me deixava num grau elevado de contentamento, mas quando ficava parado não era liberada e consequentemente me invadia e me deixava incomunicável. Pelo que eu senti nas sementes, parece que elas nos deixam num estado de absorção. É como se a nossa consciência fosse expandida em um monte de vezes, mas como nós não estamos acostumados a captar tudo de uma vez só a gente acaba meio confundido, e por isso, andar, fazer alguma atividade é essencial para uma viagem bem sucedida, pois caso contrário a gente pode ficar muito confuso com nossos fantasmas, nossos pensamentos, fantasias. É como se a anteninha de rádio fosse substituída por uma antena parabólica.

E eu tinha fome. Muita fome. O cansaço havia dado lugar à uma sensação de conforto físico, mas tinha fome. O Lucas dizia que não conseguia nem se imaginar comendo alguma coisa, mas eu tinha fome.

Andando, parando aqui e ali, acabamos chegando ao camping. Era estranho ver as pessoas todas sóbrias e seus olhares atentos. Não era nenhum tipo de paranóia, mas era gozado perceber que apesar de todos estarmos sob o mesmo sol aquelas pessoas estavam numa realidade muito diferente da minha. Eu estava sintonizado numa rádio e eles em outra.

Chegamos em nossa barraca e eu fui direto pegar uma bolacha daquelas “Club Social”. Desceu bem. Muuuuuuuito bem na verdade! Enquanto isso o Lucas ficou ouvindo música e curtindo o sol sentado numa pedra. A comunicação entre a gente resumia-se em gestos. Eu meio que entendia como o Lucas estava se sentindo pelo simples fato de olhar. E com tudo era assim. Eu olhava as pessoas das barracas vizinhas e parece que só de vê-las dava para saber muita coisa sobre elas. Era uma sensação de paz e compreensão.

Fiquei lá comendo a bolacha e dando uns pedaços para um gato cabeçudo e véio que apareceu. O gato era um tanto quanto nojento, mas era divertido vê-lo comer a bolacha. Aí depois acabaram as bolachas. Eu e o Lucas tentamos trocar umas palavras, mas era impossível. Eu sentia que eu falava coisas desconexas, espaciais. Eu não gostava de ouvir minha própria voz. “It’s no time to talk” - pensava. Era hora de absorver, de contemplar, não de dizer, falar.

O Lucas entrou na barraca e eu fiquei sentando numa pedra de olhos fechados sob o sol. E o sol cumpria bem seu papel. Esquentava cada molécula da minha carcaça. Me transmitia muita energia. Eu não tinha visuais, mas imagens oníricas brotavam em minha cabeça. Lembranças. Situações vividas. Imaginadas. Momentos de eternidade e tal…

Então resolvi fazer um miojo. Pensei “A Cozinha Psicodélica de Rodrigues”. Era uma grande aventura colocar cinco copos de água e jogar dois saquinhos de miojo numa panela enquanto o fogo se encarregaria de cozinhar tudo… foi meio complicado porque vinha muita informação na minha cabeça. Eu me pegava parado olhando para a panela com o pensamento muuuuuuito longe. Mas ao final deu tudo certo. Comemos o miojo e parecia ser um dos melhores miojos da minha vida. Comi na panela mesmo. Parecia um louco. Devorava aquilo!

Depois de comer o Lucas voltou para dentro da barraca e ficou ouvindo música. Eu voltei para minha “pedra do sol”. Estava bom ficar lá. Depois vi uma outra pedra que ficava atrás do camping. Era bem grandona e tinha sombra. Aí eu resolvi ir lá em cima. Tinha muita mata em volta da pedra. Eu deitei com os braços abertos nela e fiquei observando uma outra pedra que ficava em frente à ela, onde tinha a raíz exposta de uma grande árvore. Me sentia como a raíz exposta. Fiquei lá jogado em cima da pedra olhando minha “mãe” árvore derrubando gentilmente algumas folhinhas. Me sentia também as folhas que caiam. Aquela era minha forma naquele momento. Eu já não era uma coisa indefinida, mas sim uma raíz jogada em cima de uma pedra. Uma raíz olhando um céu azul. Quieto.

Fiquei muito tempo lá e então resolvi dar uma volta por uma trilha. Fui sozinho porque Lucas estava ouvindo música na barraca. Andei numa trilha vazia e fui subindo. A terra úmida acentuava o cheiro do mato. O barulho das ondas batendo nas pedras lá embaixo era assustador. Na verdade não era muito agradável, mas não chegava a ser desagradável. Uma pá de borboleta tava voando na trilha. Era divertido vê-las em seus vôos incertos. Coloridas. Leves. Loucas. Apesar de ser muito bom ficar na trilha, resolvi voltar para a barraca, pois não fazia idéia de quanto tempo estive fora… talvez fossem apenas alguns minutos, mas também podiam ter sido horas…

Voltei para a barraca e encontrei o Lucas. Seus olhos não negavam que estava viajando tanto quanto eu. Conseguimos trocar algumas palavras e resolvemos ir para a praia e lá ficamos sentados perto da água. Trocamos algumas palavras. Já não era tããããão difícil se comunicar, mas ainda era necessário um certo esforço.

Voltamos para o camping. Dessa vez entrei na barraca e decidi encarar uma viagem musical. Ouvi Shpongle. É um som eletrônico que induz alguns visuais e sensações de outro mundo. Era bizarro, mas maravilhoso! Sentia a cabeça ouvir a música em 3,4,5,6,7 dimensões! Os sons agudos se alojavam na parte da frente do meu crânio. Os sons graves vibravam atrás do crânio e também faziam a coluna vertebral vibrar. Alguns outros sons ficavam bem no centro da cabeça e algumas vozes se espalhavam por todos os “quartos” da minha cabeça estruturada puramente em som. Sentia minha cabeça como se fosse uma casa. Haviam diversas salas que suportavam determinados tipos de música. Música era tudo o que existia. Não sentia meu corpo. De raíz passei a ser música. Não criava situações imaginadas na cabeça (como geralmente faço ao ouvir música), mas eu era a própria música. Me transformava com ela. Às vezes tirava o fone do ouvido e era muito estranha a sensação de voltar a ouvir o mar e as pessoas. Aí voltava a colocar o fone no ouvido e a música e seus detalhes me encantavam. Aí me deu vontade de ir mijar. Tirei o fone do ouvido mas saí da barraca ainda em forma de música. Não via nada na minha frente senão lembranças de detalhes, vozes e essas coisas… acho que aquilo era o ápice da viagem. Estava muito intenso.

Cheguei no banheiro, mijei e senti uma enorme vontade de fumar um cigarro. Acontece que tinha acabado o meu cigarro e também meu dinheiro. Apesar de ainda ser música resolvi pedir um cigarro para uma menina da barraca vizinha:

Ela me deu o cigarro e perguntou se eu podia emprestar um garfo para ela comer, porque havia esquecido e coisa e tal. Aí eu fui lá na barraca fumando meu cigarrinho, peguei o garfo e fui até ela. Aí fiquei lá parado em frente a ela e o pessoal dela. Fiquei lá parado olhando pra nada, fumando. Segurando o garfo. Aí como ninguém dizia nada eu deixei o garfo em cima da pedra que ela estava e saí fora dali.

Devo ter assustado a menina. Eu parecia um lunático. Desconexo, perdido, longe, fora de órbita.

Mas o Marlboro. Huaaa!!! Como era bom fumar aquele maldito cigarro! Foi chato notar que a “vizinhança” sabia perfeitamente que eu estava absolutamente aéreo. Mas ah! Nem me importei!

Aí o Lucas saiu da barraca. Fomos novamente para a praia… não sei se foi da minha cabeça mas de repente… acabou a trip. Na hora que eu estava mais louco ela simplesmente se foi. Sobrou apenas algumas coisas dela, como o contentamento e a paz de espírito, mas a loucura, a alucinação simplesmente se foi. Assim como os botões “náusea=on” e “náusea=off” as sementes haviam apertado “insanidade=on” e “insanidade=off”. Foi uma mudança radical. Agora eu já estava bem melhor para conversar com o Lucas e falar sobre a experiência. Ele também já estava voltando…

Então já estava escurecendo. Nós conversamos sobre um monte de coisa. Falamos muito mesmo. O pensamento agora fluía junto da linguagem, o que era muito bom. Depois eu achei dois reais na minha mochila, o que deu pra comprar um Derby e sustentar meu vício até o outro dia.

Durante a noite foi bem complicado, porque tava tudo escuro e não tínhamos lanternas ou velas para iluminar a barraca ou mesmo para preparar uma comida. Sobrevivemos com um isqueiro que eu achei na praia e que iluminava um pouquinho as coisas.

4. O DIA SEGUINTE

No dia seguinte tudo ocorreu ok. Ficamos caretas durante o dia, só andando pela praia e tudo. À tarde encontramos uns gringos que estavam fazendo intercâmbio no Brasil. Tinha um holandês, um francês e mais um monte de figuras lá. Eles estavam fumando maconha em um bong feito de bambu e ofereceram para nós. Foi muito bom fumar depois de um dia inteiro sóbrio. Me lembro muito bem que um deles tinha um aspecto caricatural. Ele fumava e parecia que a fumaça saia de toda sua cara. Parecia que saia da boca, do nariz, dos olhos, das orelhas. Parecia uma espécie de “homem-tocha”. Era engraçado.

Aí ainda mais tarde a gente fumou Salvia divinorium, que o Lucas havia conseguido. Essa é uma erva especial. É um alucinógeno extremamente potente e era usado por uns povos antigos, os quais fumavam para ter visões e conversar com entidades do mundo astral. Alguma coisa assim.

Mas tinha só um pouquinho com o Lucas. Eu coloquei o fone de ouvido, fiquei ouvindo música e dei um trago no bong com salvia. Aí fiquei de olhos fechados. Senti uma energia bizarra passando da minha mão esquerda, subindo os braços, passando pelo ombro, descendo o braço direito até fechar o ciclo na mão direita. Aí depois eu vi uma floresta onde tinha um velho pajé magricelo. Ele estava sentado numa pedra e cantarolava uma canção (acho que porque eu estava ouvindo uma canção no fone de ouvido). Depois vi uma planta que tinha folhas em formato de coração. Aí caia um pingo nela e tudo ficava brilhando. Foi muito bonito.

Mas perto do que li a respeito de Salvia eu me decepcionei com os efeitos. Eu imaginei que seria algo extremamente bizarro. Pensei que ia perder noção da realidade e tudo, mas só tive mesmo uma visão. Um dia pretendo experimentar uma dose forte de Salvia para compreendê-la melhor.

5. CONCLUSÕES

Essa foi a primeira vez que fumei Salvia e a segunda vez que tomei sementes. Algumas características estiveram presentes em ambas experiências com as sementes:

  1. É preciso saber que o começo da trip é sempre difícil tanto a parte das náuseas quanto do cansaço físico. São momentos complicados, mas passageiros e suportáveis. Como geralmente o começo de uma trip pode determinar o seu desenvolvimento, tem que saber esperar a semente interagir com o teu corpo e o teu corpo assimilar a semente sem se arrepender de nada.

  2. Efeito camaleão. Você passa a ser aquilo com que interage. Você vira água, raiz, música e céu. É uma coisa positiva se utilizada num lugar legal, mas pode ser perigoso não preparar um ambiente propício.

  3. A trip vem em ondas. Às vezes parece que está indo embora, mas volta e vai e volta.

E é isso aí.

6. UM PEQUENO ACONTECIMENTO POSTERIOR À TRIP

Quando fumei a Salvia ouvindo Shpongle, tive a visão que relatei, de um pajé em uma floresta cantando uma canção enquanto uma gota de água ou orvalho escorria pela folha de uma planta.

Pois bem.

Posteriormente tive um sonho. Esse mesmo pajé era um sujeito que fazia atendimentos às pessoas que iam se consultar com ele, como se fosse um oráculo. Eu entrei na fila, e quando chegou minha vez, ele não falou nada, mas me deu uma estatueta de papagaio, feita de madeira. Estava bonito, bem feito e - com exceção da parte do peito - estava todo pintado. Ele apenas me entregou aquele papagaio de madeira e não falou nada. Talvez eu tinha que dar o acabamento e pintar o peito do artefato? Sei lá.

Pois bem.

Certo dia, ao chegar de noite em casa depois da faculdade, já era umas 23h e pouco, eu fui pegar comida para esquentar no microondas e vi uma caixa de papelão ali perto da mesa. Tive a sensação de que a caixa se mexeu, mas achei que era impressão.

Depois a caixa realmente se mexeu!

Fiquei meio assustado, mas fui lá e abri a tal da caixa. E o que é que havia dentro dela?

Pois é, um papagaio. De verdade. Sem penas no peito.

Não faço a mínima idéia do que isso pode querer dizer, mas foi algo no mínimo curioso e inusitado.

Parece que meu padrasto comprou ou ganhou de não sei quem.

Coincidêeeencias…

← Voltar ao índice