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Parte III — Uso Recreativo: entre o ordinário e o extraordinário

Relatos de 2003-2005

Nesse período a vida parecia estar entrando nos trilhos. Estava namorando, cursando a faculdade, entusiasmado com o trabalho. A espiritualidade dava lugar a sonhos de carreira e vida adulta. As substâncias estavam em um lugar mais recreativo e saudável do que antes.

Não me levar a sério foi a chave que encontrei naquele momento para lidar apropriadamente com minha atração pelos estados alterados de consciência. Sustentar o aspecto lúdico, sem negar ou acreditar de forma literal nas fantasias e nas possibilidades que nos são apresentadas em uma experiência podem manter a experiência em seu devido lugar: no lugar do mistério, das possibilidades, da ambiguidade simbólica que nos conectam àquilo que há de mais puro e essencial, e que muitas vezes perdemos ao crescer: a capacidade de brincar e imaginar.

Ao contrário do que se pensa normalmente, muitas vezes as experiências recreativas são mais espirituais do que aparentam em sua superfície, e às vezes as experiências ditas “espirituais” são pura bobagem que produz uma série de problemas e obsessões desnecessárias.

Esses relatos são simples, caricatos, escritos de um jeito meio apressado, quase superficial, mas esses são relatos que agora relendo, não sinto vergonha. Leio sorrindo com nostalgia. Espero que ainda comuniquem aquilo que eu quis expressar quando os escrevi.